quarta-feira, 7 de setembro de 2016

T102

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A ÁGUA AZUL: DA VIDA À MORTE. Haidi D. Fiedler (Laboratório de Catálise e Fenômenos Interfaciais, INCT-Catalysis, UFSC, Brasil)

Todos os organismos vivos, homens, animais, insetos, plantas e até o mais modesto ser vivo unicelular dependem de água. Os seres humanos necessitam do meio aquático como componente fundamental para realizar muitas das funções celulares, intracelulares etc..

O detalhe é que a qualidade que as soluções aquosas possuem em termos de aspectos químicos, bioquímicos, fisicoquímicos, etc., determinam suas propriedades (ver referência 1). Como se apresenta a seguir existem águas de cores maravilhosas, com propriedades diferenciadas, que podem ajudar a manter a vida ou levar à morte.

Entre tantas uma água é especial, a água denominada como “Água de Alibour” (ADA), que possui uma cor azul limpa e transparente. A composição química da solução estoque da mesma inclui 2,0 gramas de sulfato de cobre (CuSO4), 4 gramas de sulfato de zinco (ZnSO4), 5 gramas de álcool canforado, 0,5 gramas de tintura de açafrão e água destilada suficiente para completar (OSP) 1000 gramas (Referência 2). Esta água pode ser facilmente caracterizada por espectroscopia de fluorescência de raios-X (Figura 1). Da solução anterior (estoque) pode-se diluir em água a 10% antes de ser utilizada.

Figura 1. Espectro de fluorescência de raios-X, de uma amostra de água de Alibour, mostrando os sinais característicos de Cu2+ e Zn2+.

A água de Alibour, com uma composição muito simples, vem sendo utilizada de forma externa ao longo dos anos, na cura de ferimentos típicos da pele, como por exemplo, no tratamento de impetigo, eczemas, dermatitis e dermatosis exudativas (quando no ferimento aparecem líquidos). Elimina seres microscópicos como: germes, parasitas, fungos, etc. O cobre em solução aquosa é o responsável principal pela cor azul da água de Alibour. O mesmo cobre em materiais sólidos possui cores diferentes que dependem dos outros componentes da estrutura e do estado de oxidação. O sulfato de cobre sólido possui uma coloração azulada, na forma de cloreto de cobre (CuCl2) possui tons de verde e, como iodeto de cobre (CuI) é branco.

O elemento cobre possui inúmeras utilidades e, como não poderia deixar-se de mencionar faz parte das medalhas Olímpicas. Bronze é constituído de 97% de cobre, 2,5% de zinco e, 0,5% de estanho.

Por outro lado, a água de boa qualidade e de outras cores, serve para diferentes funções que permitem desde a simples hidratação (fundamental para nossa vida) até aquela que nos divirta, como por exemplo em Dubai, uma cidade árida dos Emirados Árabes Unidos, onde milhões de litros de água marinha, tratada por um custoso processo de dessalinização, correm pelas piscinas do Parque Aquático Wild Wadi com piscina de ondas, máquinas de surf e uma cachoeira da altura de um prédio de 6 andares (Referência 3). Sem intervenção humana, temos ainda a maravilhosa água azul-esverdeada de Bali na Indonésia. Um paraíso para surfistas de diferentes partes do mundo, que viajam em barcos para chegar às melhores ondas do planeta (Figura 2).

Figura2. Fotografia de um surf trip em Bali, Indonésia, cedida por Marcelo Nome S.

A maravilhosa cor azul do oceano, com tonalidades de verde, neste caso não é devida aos sais de cobre e sim ao fenômeno de absorção e espalhamento da luz incidente e a presença de organismos vivos como o fitoplâncton, com um pigmento verde chamado clorofila que é fundamental para a vida (Referência 4).

Existem águas que se destacam por suas cores maravilhosas, mas com altos teores de metais e sulfatos que não são para “curar”, mas sim, poluentes que podem ter lindas tonalidades e, entretanto, podem matar os seres vivos. Em muitos casos, a poluição resulta em rios amarelos como tinta, lagoa vermelhas semelhantes a sangue, ou verdes com tons das copas dos eucaliptos. Assim, a beleza das águas pode ser um perigo e, o melhor, como sempre, é ser prudente com aparências.

Referências: 1) Homens, Terra e Água – A relação que envolve instintos eternos. Haidi D. Fiedler em http://www.ccell11.com/2012/07/mankind-earth-and-water-relationship.html#POR
2) Compêndio de Dermatologia (5a Edição) – 1978. Bechelli, L.M.; Curban, G.V. C D D – 616.5 / NLM – W R100.
3) National Geografic-Br, setembro, 2002, em www.nationalgeographic.com.br; https://pt.wikipedia.org/wiki/Wild_Wadi
4) O poder dos oceanos e da química. Haidi D. Fiedler em http://www.ccell11.com/2011/03/power-of-oceans-and-of-chemistry-by.html#POR

Um comentário:

  1. Fácil de ler, me senti um turista científico. Legal!
    Best regards,
    Faruk Nome, Texas Instruments, Califórnia, EUA

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