quinta-feira, 6 de setembro de 2012

T62. THE WATER TRIGRAM IN THE YI JING by Jan B.F.N.Engberts, University of Groningen, The Netherlands

Inglês
The ancient Chinese classic Yi Jing (Book of Changes)1 provides a concrete process philosophy that has retained its attractiveness over the ages to the present time. The basic notions that the dynamic interplay of the complementary concepts yin and yang symbolize the eternal flux (Fig.1), and that there exists a primal organic oneness of the universe and the human mind constitute a metaphysics of unusual depth that has immediate relevance for our modern thinking about a harmonious society.

Fig.1. Yin and yang, the symbols for physical and mental activities.

Both in ancient Chinese philosophy and in modern process thinking, water has been employed as a versatile metaphor (Chinese: yin yu,”hidden analogy”) to illustrate the notion that metaphysical priority should be given to process rather than to substance. As pointed out by Sarah Allan2: “water provides metaphoric roots of early Chinese ideas about time: water in the form of a stream with a natural spring as its source provides a model for ideas of both transience and continuity”.

The lifely water in the vast oceans, the streaming rivers, the murmuring brooklets, but also modern scientific knowledge concerning the three-dimensional (3-D) hydrogen-bond structure of liquid water, exhibiting an incredible dynamic network of water molecules, have all inspired scientists, philosophers and poets to exemplify imaginative basic lessons about process, beauty , value and moral standards.

An illustration can be found in an anecdote about a remarkable incident that happened when I lectured on process philosophy and water metaphors in the Philosophy Department of the Huazhong University of Science and Technology, Wuhan, China, with Prof. Chen Gang acting as the chairman (May 25, 2005). I explained that the dynamic 3-D hydrogen-bond structure of water originates from the fact that an individual water molecule (H2O), although overall electrically neutral, carries four (partial) charges, two positive ones at both hydrogen (H) atoms and two negative ones at the oxygen (O) atom. The sum of these charges is zero. These partial charges enable the molecule to be engaged in four (largely) electrostatic interactions with four different neighboring waters (Fig.2), thereby building up the first unit of a still more extensive 3-D network of hydrogen bonds in the liquid.

Fig.2. A central water with four neighboring waters bound by hydrogen bonds.

Fig.3. A water molecule with the electron densities around the two hydrogen atoms (white)
and the oxygen atom (red). 
                                             
This elegant theory has been for many years the starting point of detailed physico-chemical investigations of the structure and properties of liquid water.
At the end of my talk, a graduate student, Mr. Mei Jinhui, stood up and noted that the four partial charges in the water molecule appear to be in conflict with hexagram 29 in the Yi  Jing, which is composed of twice the gua (trigram) for water with two times the yin line (- -), symbolizing the positive charges and only a single yang line (—), symbolizing negative charge (Fig.4).
                                 
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                                       Fig.4. The gua for water.

For a few seconds I was overwhelmed by the remark made by this smart young man. I knew that recent photoelectron spectroscopic measurements and advanced quantum mechanical calculations on the water molecule had indeed indicated, in contrast with previous theories, that the two charges on oxygen are most likely an oversimplification and that a single zone of negative charge on oxygen is more realistic3 (Fig.3). That two neighboring waters interact with the oxygen atom is primarily due to space limitations. Thus the trigram in the Yi Jing for water appears to suggest the correct symbol for the charge distribution in the molecule (Fig.4).

Looking back at those spring days on the sunny Wuhan campus, I am still impressed by the beauty of that meeting between the great Eastern philosophical tradition of the Yi Jing and contemporary scientific thinking. It remains a dear memory.


References. (1) A. Huang, “The Complete I Ching”, Inner Traditions International, Rochester, 1998. (2) S. Allan, “The Way of Water and Sprouts of Virtue”, State University of New York Press, 1997. (3) J.L. Finney, “Water? What’s So Special About It? “, Phil.Trans.R.Soc.London B 359, 1145-1165 (2004).

Português
O TRIGRAMA DA ÁGUA NO I CHING por Jan B.F.N. Engberts da Universidade de Groningen, Holanda

Traduzido por Natanael F. França Rocha, Florianópolis, Brasil 

O livro clássico chinês I Ching (o Livro das Mutações)1  oferece uma filosofia concreta sobre o processo, mantendo sua beleza ao longo dos séculos até os dias de hoje. As noções básicas de que a interação dinâmica do conceito complementar do Yin e Yang simbolizam o eterno fluxo (Fig.1), e de que existe uma unidade orgânica primordial do universo e da mente humana, constituem uma metafísica de profundidade incomum e com relevância imediata para o nosso pensamento moderno sobre uma sociedade harmoniosa.


Fig.1. Yin e Yang, os símbolos para as atividades físicas e mentais.


Tanto na filosofia chinesa antiga quanto no pensamento moderno sobre o processo, a água tem sido utilizada como uma metáfora versátil (do chinês Yin Yu: "analogia oculta") para ilustrar a noção de que se deveria dar prioridade metafísica ao processo e não à substância. Como apontado por Sarah Allan2, "a água fornece raízes metafóricas das primeiras ideias chinesas sobre o tempo: a água na forma de uma corrente com uma nascente natural como fonte, fornece um modelo para ideias tanto sobre a transitoriedade como sobre a continuidade".
A água cheia de vida nos vastos oceanos, nos ribeirões, em riachos murmurantes, assim como o conhecimento científico moderno sobre a estrutura tridimensional (3-D) das ligações de hidrogênio da água líquida, exibindo uma incrível rede dinâmica de moléculas de água, têm conjuntamente inspirado cientistas, filósofos e poetas a exemplificar lições básicas imaginativas sobre o processo, a beleza, os valores e os padrões morais.

Farei uma ilustração através de uma anedota sobre um incidente notável que aconteceu comigo quando discursava sobre filosofia do processo e metáforas da água no Departamento de Filosofia da Universidade de Ciência e Tecnologia de Huazhong, na cidade de Wuhan, na China, com o Prof. Chen Gang como chefe do departamento (25 de maio de 2005). Eu explicava que a estrutura dinâmica 3-D da ligação de hidrogênio da água surge do fato de que uma molécula individual de água (H2O), mesmo em geral eletricamente neutra, transporta quatro cargas (parciais), sendo duas positivas em ambos os átomos de hidrogênio (H) e duas negativas no átomo de oxigênio (O). A soma dessas cargas é zero. Essas cargas parciais fazem com que a molécula se envolva em quatro interações (altamente) eletrostáticas com quatro águas vizinhas diferentes (Fig.2), construindo assim a primeira unidade de uma rede 3-D ainda mais extensa de ligações de hidrogênio no líquido.

Fig.2. Uma água central com quatro águas vizinhas ligadas por pontes de hidrogênio.

Fig.3. Uma molécula de água com as densidades dos elétrons em torno dos dois 
átomos de hidrogênio (em branco) e do átomo de oxigênio (em vermelho).

Desde muitos anos, essa elegante teoria tem sido o ponto de partida de pesquisas físico-químicas detalhadas sobre a estrutura e as propriedades da água no estado líquido.
Ao final da minha fala, um estudante de pós-graduação, o Sr. Mei Jinhui, levantou-se e observou que as quatro cargas parciais na molécula de água parecem estar em conflito com o hexagrama 29 no I Ching, que é composto por duas vezes o guà (trigrama) para a água, com duas linhas tracejadas Yin (– –) simbolizando as cargas positivas, e uma única linha reta Yang (—) simbolizando a carga negativa (Fig. 4).
                                 
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                                       Fig.4. The gua for water.

Por alguns segundos, fiquei aturdido com a observação feita por aquele esperto rapaz. Eu sabia que as medições recentes de fotoelétrons espectroscópicos e os cálculos avançados da mecânica quântica sobre a molécula de água haviam realmente indicado, em oposição às teorias anteriores, que as duas cargas no oxigênio são muito provavelmente uma supersimplificação e que apenas uma única zona de carga negativa no oxigênio é mais realista3 (Fig. 3). O fato de duas águas vizinhas interagirem com o átomo de oxigênio deve-se principalmente a limitações de espaço. Sendo assim, o trigrama no I Ching para a água parece sugerir o símbolo correto para a distribuição de carga na molécula (Fig.4).

Voltando ao passado, naqueles dias de primavera no campus ensolarado de Wuhan, ainda fico impressionado com a beleza do encontro entre a grande tradição filosófica oriental do I Ching e o pensamento científico contemporâneo. Continua sendo uma lembrança agradável.

Referências. (1) A. Huang, “The Complete I Ching”, Inner Traditions International, Rochester, 1998. (2) S. Allan, “The Way of Water and Sprouts of Virtue”, State University of New York Press, 1997. (3) J.L. Finney, “Water? What’s So Special About It?”, Phil.Trans.R.Soc.London B 359, 1145-1165 (2004).


Espanhol
EL TRIGRAMA DEL AGUA EN EL I CHING, por Jan B.F.N. Engberts de la Universidad de Groningen, Países Bajos

Traducción de Natanael F. França Rocha, Florianópolis, Brasil y revisión de Elba Buján, Universidad Nacional de Cordoba, Argentina

El antiguo clásico chino I Ching (el Libro de las Mutaciones)1 provee una filosofía del proceso concreta que ha conservado su belleza a través de los tiempos hasta nuestros días. Las nociones básicas de que la interacción dinámica de los conceptos complementarios del Yin y Yang simbolizan el eterno flujo (Fig. 1), y de que existe una unidad orgánica primaria del universo y de la mente humana, constituyen una metafísica de inusual profundidad con relevancia inmediata para nuestro pensamiento moderno acerca de una sociedad armoniosa.

Fig.1. El Yin y Yang, los símbolos de las actividades físicas y mentales.

Tanto en la antigua filosofía china como en el pensamiento moderno acerca del proceso, el agua ha sido empleada como una metáfora versátil (del chino Yin Yu: "analogía oculta") para ilustrar la idea de que se debería dar prioridad metafísica al proceso en lugar de a la sustancia. Como ha señalado Sarah Allan2: "El agua provee raíces metafóricas de las ideas primitivas chinas sobre el tiempo: el agua en forma de una corriente con una naciente natural como fuente, proporciona un modelo para las ideas acerca de la transitoriedad tanto como de la continuidad".

El agua llena de vida en los vastos océanos, en los ríos correntosos, en los arroyos murmurantes, así como también el conocimiento científico moderno sobre la estructura tridimensional (3-D) de los enlaces de hidrógeno del agua líquida, que exhibe una increíble red dinámica de moléculas de agua, han inspirado a científicos, filósofos y poetas a ejemplificar lecciones básicas imaginativas sobre el proceso, la belleza, el valor y las normas morales.

Un ejemplo se puede encontrar en una anécdota acerca de un incidente notable que ocurrió cuando disertaba sobre la filosofía del proceso y las metáforas del agua en el Departamento de Filosofía de la Universidad de Ciencia y Tecnología de Huazhong, en la ciudad de Wuhan, en China, con el Prof. Chen Gang como jefe del departamento (25 de mayo de 2005). Yo explicaba que la estructura dinámica 3-D de los enlaces de hidrógeno del agua se origina del hecho de que una molécula de agua individual (H2O), aunque en total eléctricamente neutra, lleva cuatro cargas (parciales): dos cargas positivas en ambos átomos de hidrógeno (H) y dos cargas negativas en el átomo de oxígeno (O). La suma de estas cargas es igual a cero. Estas cargas parciales permiten que la molécula se involucre en cuatro interacciones (esencialmente) electrostáticas con cuatro aguas vecinas diferentes (Fig. 2), constituyendo de esa manera la primera unidad de una red 3-D de enlaces de hidrógeno todavía más amplia en el líquido.



Fig.2. Un agua central con cuatro aguas vecinas unidas por enlaces de hidrógeno.


Fig.3. Una molécula de agua con las densidades de electrones alrededor 
de los dos átomos de hidrógeno (blanco) y el átomo de oxígeno (rojo).

Durante muchos años, esta elegante teoría ha sido el punto de partida de detalladas investigaciones físico-químicas de la estructura y propiedades del agua líquida.

Al final de la mi conferencia, un estudiante de posgrado, el Sr. Mei Jinhui, se levantó y observó que las cuatro cargas parciales en la molécula de agua parecen estar en conflicto con el hexagrama 29 en el I Ching, que se compone de dos veces el guà (trigrama) para el agua, con dos veces la línea Yin (– –) simbolizando las cargas positivas, y una sola línea Yang (—) simbolizando la carga negativa (Fig. 4).
                                 
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                                               Fig.4. El guà para el agua.

Por unos segundos me sentí aturdido por la observación hecha por este inteligente joven. Yo sabía que las últimas mediciones de espectroscopía fotoelectrónica y cálculos avanzados de mecánica cuántica en la molécula de agua habían indicado en efecto, en contraste con las teorías anteriores, que las dos cargas de sobre el oxígeno son más probablemente una sobresimplificación y que una zona única de carga negativa en sobre el oxígeno es más realista3 (Fig. 3). El hecho de que dos aguas vecinas interactúan con el átomo de oxígeno se debe principalmente a las limitaciones de espacio. Así, el trigrama en el I Ching para el agua parece sugerir el símbolo correcto de la distribución de carga en la molécula (Fig. 4).

Mirando hacia atrás, a esos días de primavera en el soleado campus de Wuhan, todavía estoy impresionado por la belleza de ese encuentro entre la gran tradición filosófica oriental del I Ching y el pensamiento científico contemporáneo. Permanece como un querido recuerdo.

Referencias. (1) A. Huang, “The Complete I Ching”, Inner Traditions International, Rochester, 1998. (2) S. Allan, “The Way of Water and Sprouts of Virtue”, State University of New York Press, 1997. (3) J.L. Finney, “Water? What’s So Special About It?”, Phil.Trans.R.Soc.London B 359, 1145-1165 (2004).

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